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16 set

Constituição Dogmática Pastor Aeternus – Pio IX

Sobre a Igreja de Cristo

Quarta seção, 18 de julho de 1870.

Pio, bispo,
Servo dos servos de Deus,
Com a aprovação do Sagrado Concílio,
Para perpétua memória.

O eterno pastor e guardião de nossas almas[1], em ordem a realizar permanentemente a obra salvadora da redenção, decretou edificar a Santa Igreja, na qual todos os fiéis, como na casa do Deus vivente, estivessem unidos pelo vínculo de uma mesma fé e caridade. Desta maneira, antes de ser glorificado, suplicou a seu Pai, não só pelos apóstolos, mas também por aqueles que creriam n’Ele através de sua palavra, que todos eles fossem um como próprio Filho e o Pai são um[2]. Assim, portanto, como enviou ao mundo os apóstolos que havia escolhido[3], tal como Ele mesmo fora enviado pelo Pai[4], da mesma forma quis que em sua Igreja houvesse pastores e mestres até a consumação dos séculos[5].

Assim, para que o ofício episcopal fosse uno e sem divisão e para que, pela união do clero, toda a multidão de crentes se mantivesse na unidade da fé e da comunhão, colocou o bem-aventurado Pedro sobre os demais apóstolos e instituiu nele o fundamento visível e o princípio perpétuo de ambas unidades, fortaleza sobre a qual se construiu um templo eterno, e a altura da Igreja, que deveria alcançar o céu, e se levantasse sobre a firmeza desta fé[6].

E uma vez que as postas do inferno, para derrubar, se fosse possível, a Igreja, se levantam por toda a parte contra seu fundamento divinamente disposto com um ódio que cresce a cada dia, julgamos ser necessário, com a aprovação do Sagrado Concílio, e para a proteção, defesa e crescimento do rebanho católico, propor para ser crida e sustentada por todos os fiéis, segundo a antiga e constante fé da Igreja Universal, a doutrina acerca da instituição, perpetuidade e natureza do sagrado primado apostólico, do qual depende a fortaleza e solidez de toda a Igreja; e proscrever e condenar os erros contrários, tão danosos ao rebanho do Senhor.

Capítulo I

            Sobre a instituição do primado apostólico no bem-aventurado Pedro.

Assim, pois, ensinamos e declaramos que, de acordo com o testemunho do Evangelho, um primado de jurisdição sobre toda a Igreja de Deus foi direta e imediatamente prometido ao bem-aventurado Apóstolo Pedro e conferido a ele por Cristo, o Senhor. Foi somente a Simão, a quem lhe havia dito: “Tu se chamarás Cefas”[7], que o Senhor, depois de sua confissão, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”, disse estas palavras solenes: “Bendito és tu, Simão Bar-Jonas. Porque nem a carne e nem o sangue te revelaram isto, mas meu Pai que está nos céus. E eis que te digo, tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Te darei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado no céu, tudo o que desligares na terra será desligado no céu”[8]. Foi somente a Simão Pedro que Jesus, depois de sua ressurreição, lhe confiou a jurisdição de Pastor Supremo e governante de todo seu redil, dizendo: “Apascenta meus cordeiros”, “apascenta minhas ovelhas”[9].

A este ensino tão manifesto nas Sagradas Escrituras, como sempre tem sido entendido pela Igreja Católica, se opõem abertamente as opiniões distorcidas de quem falsifica a forma de governo que Cristo, o Senhor, estabeleceu em sua Igreja e negam que somente Pedro, em preferência ao resto dos apóstolos, tomados singular ou coletivamente, foi dotado por Cristo com um verdadeiro e próprio primado de jurisdição. O mesmo deve ser dito daqueles que afirmam que este primado não foi conferido direta e imediatamente ao próprio bem-aventurado Pedro, mas que o fez à Igreja e que, através desta, foi transmitido a ele como ministro da mesma Igreja.

Canon: Portanto, se alguém disser que o bem-aventurado Apóstolo Pedro não foi constituído por Cristo, o Senhor, como príncipe de todos os Apóstolos e cabeça visível de toda a Igreja militante; ou que este era somente um primado de honra e não de verdadeira e própria jurisdição recebida direta e imediatamente de Nosso Senhor Jesus Cristo: seja anátema.

Capítulo II

            Sobre a perpetuidade do primado do bem-aventurado Pedro nos Pontífices Romanos.

Aquilo que Cristo, o Senhor, príncipe dos pastores e grandioso pastor das ovelhas, instituiu no bem-aventurado Apóstolo Pedro, para a perpétua salvação e bem perene da Igreja, deve por necessidade permanecer para sempre, por obra do mesmo Senhor, na Igreja que, fundada sobre pedra, se manterá firme até o fim dos tempos[10]. “Para que ninguém possa estar em dúvida, e certamente foi conhecido em todos os séculos, que o santo e muito bem-aventurado Pedro, príncipe e cabeça dos Apóstolos, coluna da fé e fundamento da Igreja Católica, recebeu as chaves do reino de Nosso Senhor Jesus Cristo, salvador e redentor do gênero humano, e que até este dia e para sempre vive”, preside e “julga em seus sucessores”[11] bispos da Santa Sé Romana, fundada por ele mesmo e consagrada com seu sangue.

Portanto, todo sucessor de Pedro nesta cátedra obtém, pela instituição do mesmo Cristo, o primado de Pedro sobre toda a Igreja. “Desta maneira permanece firme a disposição da verdade, o bem-aventurado Pedro persevera na fortaleza de pedra que lhe foi concedida e não abandona o leme da Igreja que uma vez recebeu”[12]. Por esta razão sempre tem sido “necessário para toda a Igreja – isto é, para todos os fiéis do mundo estar de acordo” com a Igreja Romana “devido a sua mais poderosa primazia”[13], para que naquela sé, da qual fluem a todos “os direitos da venerável comunhão”[14], estejam unidas, como membros à cabeça, no mesmo corpo.

Portanto, se alguém disser que não é instituição do próprio Cristo, o Senhor, isto é, por direito divino, que o bem-aventurado Pedro tenha perpétuos sucessores em seu primado sobre toda a Igreja, e que o Pontífice Romano não é sucessor do bem-aventurado Pedro neste mesmo primado: seja anátema.

Capítulo III

             Sobre a natureza e caráter do primado do Pontífice Romano.

E, assim, apoiados pelo claro testemunho da Sagrada Escritura, aderindo-nos aos manifestos e explícitos decretos tanto de nossos predecessores Pontífices Romanos como dos Concílios Gerais, nós promulgamos novamente a definição do Concílio Ecumênico de Florença, que deve ser crida por todos os fiéis de Cristo, a saber, que “a Santa Sé Apostólica e o Pontífice Romano mantêm um primado sobre todo o orbe, e que o mesmo Pontífice Romano é sucessor do bem-aventurado Pedro, Príncipe dos Apóstolos, e que é verdadeiro vigário de Cristo, cabeça de toda a Igreja, pai e mestre de todos os cristãos; que a ele, no bem-aventurado Pedro, lhe foi dada, por Nosso Senhor Jesus Cristo, plena potestade para apascentar, reger e governar a Igreja universal; tal como está contido nas atas dos Concílios Ecumênicos e nos Cânones Sagrados”[15].

Por isso ensinamos e declaramos que a Igreja Romana, por disposição do Senhor, possui o primado de potestade ordinária sobre todas as outras, e que esta potestade de jurisdição do Pontífice Romano, que é verdadeiramente episcopal, é imediata. A ela estão obrigados os pastores e os fiéis de qualquer rito e dignidade, tanto singular como coletivamente, por dever de subordinação hierárquica e verdadeira obediência, e isto não somente em matéria de fé e costumes, mas também em relação à disciplina e regime da Igreja difundida por todo o orbe; de modo que, guardada a unidade com o Pontífice Romano, tanto de comunhão como de profissão da mesma fé, a Igreja de Cristo seja um só rebanho sob um único Supremo Pastor[16]. Esta é a doutrina da verdade católica, da qual ninguém pode apartar-se dela sem prejuízo à sua fé e salvação.

Esta potestade do Sumo Pontífice de nenhuma maneira desacredita aquela potestade ordinária e imediata da jurisdição episcopal, pela qual os bispos, que foram postos pelo Espírito Santo[17] como sucessores no lugar dos Apóstolos, cuidam e governam individualmente, como verdadeiros pastores, os rebanhos particulares que lhes foram designados. De modo que esta potestade é afirmada, apoiada e defendida pelo Supremo e Universal Pastor; como bem disse São Gregório Magno: “Minha honra é a honra de toda a Igreja. Minha honra é a força imutável de meus irmãos. Então eu recebo verdadeira honra quando esta não é negada a nenhum daqueles a quem se deve”[18].

Ademais, se segue daquela potestade suprema do Pontífice Romano de governar a Igreja universal, que ele tem o direito, na realização deste seu ofício, de comunicar-se livremente com os pastores e rebanhos de toda a Igreja, de maneira que possam ser ensinados e guiados por ele no caminho da salvação. Portanto, condenamos e rechaçamos as opiniões daqueles que sustentam que esta comunicação da Cabeça Suprema com os pastores e rebanhos pode ser licitamente impedida ou que deveria depender do poder secular, o qual os leva a sustentar que o que é determinado pela Sé Apostólica ou por sua autoridade acerca do governo da Igreja, não tem força ou efeito a menos que seja confirmado pela aprovação do poder secular.

Uma vez que o Pontífice Romano, pelo direito divino do primado apostólico, preside toda a Igreja, da mesma maneira ensinamos e declaramos que ele é o juiz supremo dos fiéis[19], e que em todas as causas que caem sob a jurisdição eclesiástica se pode recorrer a seu juízo[20]. O juízo da Sé Apostólica (da qual não há autoridade mais elevada) não está sujeito à revisão de ninguém, nem a ninguém lhe é lícito apelar sobre os juízos[21] dos Pontífices Romanos a um concílio ecumênico, como se este fosse uma autoridade superior ao Pontífice Romano.

Canon: Assim, pois, se alguém disser que o Pontífice Romano tem tão somente um ofício de supervisão ou direção, e não a plena e suprema potestade de jurisdição sobre toda a Igreja, e isto não somente em matéria de fé e costumes, mas também no que concerne à disciplina e governo da Igreja dispersa em todo o mundo; ou que tem somente as principais partes, mas não toda a plenitude desta suprema potestade; ou que esta potestade sua não é ordinária e imediata tanto sobre todas e cada uma da Igrejas como sobre todos e cada um dos pastores e fiéis: seja anátema.

Capítulo IV

            Sobre o magistério infalível do Pontífice Romano.

Aquele primado apostólico que o Pontífice Romano possui sobre toda a Igreja como sucessor de Pedro, príncipe dos apóstolos, inclui também a suprema potestade de magistério. Esta Santa Sé sempre tem mantido, e a prática constante da Igreja o demonstra, bem como os Concílios Ecumênicos, particularmente aqueles nos quais o Oriente e Ocidente se reuniram na união da fé e na caridade, declararam-no.

Assim, os padres do quarto Concílio de Constantinopla, seguindo os passos de seus predecessores, tornaram pública esta solene profissão de fé: “A primeira salvação é manter a regra da reta fé […] e já que não se podem passar por alto aquelas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: ‘Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja’[22], estas palavras são confirmadas por seus efeitos, porque na Sé Apostólica a religião católica sempre tem sido preservada sem mácula e celebrado a Santa Doutrina. Já que é nosso mais sincero desejo não nos separarmos de maneira nenhuma desta fé e doutrina, […] esperamos merecer encontrarmo-nos na única comunhão que a Sé Apostólica prega, porque nela está a solidez integra e verdadeira da religião cristã”[23].

E com a aprovação do segundo Concílio de Lyon, os gregos fizeram a seguinte profissão: “A Santa Igreja Romana possui o supremo e pleno primado e principado sobre toda a Igreja Católica. Ela verdadeira e humildemente reconhece que recebeu, junto com a plenitude de potestade, do mesmo Senhor no bem-aventurado Pedro, príncipe e cabeça dos Apóstolos, cujo sucessor é o Pontífice Romano. E posto que ela tem mais que as demais o dever de defender a verdade da fé, se surgirem perguntas concernentes à fé, é por seu juízo que estas devem ser definidas”[24].

Finalmente se encontra a definição do Concílio de Florência: “O Pontífice Romano é o verdadeiro vigário de Cristo, a cabeça de toda a Igreja e o pai e mestre de todos os cristãos; e a ele foi transmitida no bem-aventurado Pedro, por Nosso Senhor Jesus Cristo, a plena potestade de cuidar, reger e governar a Igreja universal”[25].

Para cumprir este ofício pastoral, nossos predecessores trataram incansavelmente que a doutrina salvadora de Cristo se propagasse em todos os povos da terra; e com igual cuidado vigiaram para que se conservasse pura e incontaminada onde quer que fosse recebida. Foi por esta razão que os bispos de todo o orbe, às vezes individualmente, às vezes reunidos em sínodos, de acordo com a prática largamente estabelecida das Igreja e a forma da antiga regra, tem referido a esta Sé Apostólica especialmente aqueles perigos que surgiam em assunto de fé, de modo que se ressarcissem os danos à fé precisamente ali onde a fé não pode sofrer mancha[26]. Os Pontífices Romanos, também, como as circunstâncias do tempo ou o estado dos assuntos o sugeriam, algumas vezes chamando concílios ecumênicos ou consultando a opinião da Igreja dispersa por todo o mundo, algumas vezes por sínodos particulares, algumas vezes aproveitando outros meios úteis blindados pela Divina Providência, definiram como doutrinas a ser sustentadas aquelas coisas que, pela ajuda de Deus, eles sabiam estar em conformidade com a Sagrada Escritura e as tradições apostólicas.

Assim o Espírito Santo foi prometido aos sucessores de Pedro, não de maneira que eles pudessem, por revelação sua, dar a conhecer alguma nova doutrina, mas que, por assistência sua, pudessem guardar santamente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o depósito da fé. Certamente sua doutrina apostólica foi abraçada por todos os veneráveis padres e reverenciada e seguida pelos santos e doutores ortodoxos, já que eles sabiam muito bem que a Sé de São Pedro sempre permanece livre de qualquer erro, segundo a divina promessa de nosso Senhor e Salvador ao príncipe de seus discípulos: “Eu roguei por ti para que tua fé não desfaleça; e, uma vez convertido, confirma teus irmãos”[27].

Este carisma de uma verdadeira e nunca deficiente fé foi, portanto, divinamente conferida a Pedro e seus sucessores nesta cátedra, de maneira que pudessem desempenhar seu elevado ofício para a salvação de todos, a fim de que todo o rebanho de Cristo possa ser afastado por eles do venenoso alimento do erro e possa ser alimentado com o sustento da doutrina celestial. Assim, afastada a tendência ao cisma, toda a Igreja é preservada na unidade e, descansando em seu fundamento, se mantém firme contra as portas do inferno.

Mas já que nesta mesma época quando a eficácia salvadora do Ofício Apostólico é especialmente mais necessária, se encontram não poucos que desacreditam sua autoridade, nós julgamos absolutamente necessário afirmar solenemente a prerrogativa que o Filho Unigênito de Deus se dignou a dar com o ofício pastoral supremo.

Por isso, aderindo-nos fielmente à tradição recebida dos inícios da fé cristã, para a glória de Deus Nosso Salvador, exaltação da religião católica e salvação do povo cristão, com a aprovação do Sagrado Concílio, ensinamos e definimos como dogma divinamente revelado que:

O Pontífice Romano, quando fala ex cathedra, isto é, quando no exercício de seu ofício de pastor e mestre de todos os cristãos, em virtude de sua suprema autoridade apostólica, define uma doutrina de fé ou de costume como devendo ser sustentada por toda a Igreja, possui, pela assistência divina que lhe foi prometida no bem-aventurado Pedro, aquela infalibilidade da qual o divino Redentor quis que gozasse sua Igreja na definição da doutrina de fé e costumes. Por isso, ditas definições do Pontífice Romano são em si mesmas, e não pelo consentimento da Igreja, irreformáveis.

Canon: Desta maneira, se alguém, que Deus não permita, tiver a temeridade de contradizer esta nossa definição: seja anátema.

Dado em Roma na seção pública, sustentado solenemente na Basílica Vaticana no ano de Nosso Senhor de mil oitocentos e setenta, no décimo oitavo dia de julho, no vigésimo quinto ano de Nosso Pontificado.

[1] 1Pe 2, 25.

[2] Jo 17,20-21.

[3] Jo 15,19.

[4] Jo 20,21.

[5] Mt 28,20.

[6] São Leão Magno, Sermo 4, De natali ipsius, c. 2 (PL 54, 150c).

[7] Jo 1,42.

[8] Mt 16,16-19

[9] Jo 21,15-17.

[10] Mt 7,25; Lc 6,48.

[11] Do discurso de Felipe, o legado papal, na terceira seção do Concílio de Éfeso, 11, julio 431 (Denz. n. 112).

[12] São Leão Magno, Sermón 3, cap. 3 (PL 54, 146B).

[13] Santo Irineu de Lyon, Contra os hereges, l. III, c. 3, n. 2 (PG 7, 849A).

[14] Santo Ambrósio de Milão, Epístola 11, c. 4 (PL 16, 986B [ed. 1866 e 1880]).

[15] Concilio de Florença, 6ª seção.

[16] Jo 10,16.

[17] Atos 20, 28

[18] Gregório Magno, Carta a Eulógio de Alexandria, VIII, 29 (30) (MGH, Ep. 2, 31 28-30; PL 77, 933C).

[19] Pío VI, Carta Super soliditate (28 Nov. 1786).

[20] Da profissão de fé do Imperador Miguel Paleólogo, lida no segundo Concílio de Lyon, seção IV, 6 de julho de 1274.

[21] São Nicolas I, Carta ao Imperador Miguel, 28 de setembro de 865, (PL 119, 954).

[22] Mt 16,18.

[23] Fórmula do Papa Hormisdas, 11 de agosto de 515.

[24] Da profissão de fé do Imperador Miguel Paleólogo, lida no segundo Concílio de Lyon, seção IV, 6 de julho de 1274.

[25] Concilio de Florença, seção VI.

[26] São Bernardo, Carta 190 (Tratado a Inocêncio II Papa Tratado a Inocêncio II Papa contra os erros de Abelardo) (PL 182, 1053D).

[27] Lc 22,32.

21 ago

São Pedro, Bispo de Roma – Autor desconhecido.

Depois de demonstrado que São Pedro pregou mesmo em Roma, cabe-nos provar ter sido ele o primeiro bispo daquela cidade sem par na Igreja.

Não abusaremos da paciência dos leitores com infindável lista de autorizadas personagens que dão testemunho em tal sentido. Contentar-nos-emos de mostrar, com documentos respeitáveis, que varões como Santo Irineu, Caio, São Cipriano, Optato, Santo Agostinho, São Jerônimo, Suplício Severo, o autor anônimo do Carmen Adversus Marcionem abonam o ponto de vista católico.

Antes de tudo, lembramos que todos os catálogos de bispos de Roma, sem exceção alguma, catálogos organizados com o maior escrúpulo, tanto no ocidente como no Oriente, colocam sempre o nome de São Pedro à frente dos chefes que teve a Igreja.

Se os norteasse com um profundo amor à verdade, há muito que devia ter cessado o clamor de certa classe de protestantes contra os direitos de São Pedro ao título de bispo de Roma.

Fechando os olhos a tantas razões alegadas pela Igreja, o protestante persiste na sua negação invocando, a seu favor, um argumento tirado do silêncio do apóstolo São Paulo. Na verdade, afirmaram eles, se São Pedro fosse o bispo de Roma no tempo das missões apostólicas de São Paulo, infalivelmente teria este último feito referência ao mesmo, quando escreveu a sua conhecida epístola aos romanos…

À primeira vista, semelhante argumento parece de grande alcance, pois não se concebe que o bravo evangelizador dos gentios, numa epístola em que saúda mais de vinte irmãos na fé com morada em Roma, silenciasse o nome do bispo daquela cidade. Não lhe ficaria bem enviar cumprimentos a tantas ovelhas, pondo à margem o pastor.

Outra, porém, é a verdade. Basta lembrar por ora, que São Paulo também escreveu aos cristãos de Éfeso e não faz qualquer alusão ao bispo daquela terra. Por igual enviou epístola aos coríntios, aos gálatas, aos tessalonicenses, aos colossenses, aos hebreus… e em nenhuma delas faz menção dos pastores colocados à frente daquelas comunidades.

Como explicar tudo isto? Primeiramente, é bem possível que os portadores dessas mensagens, que eram pessoas de sua inteira confiança, levassem especiais recomendações, orais ou escritas, para os bispos das referidas paragens. Depois, convém ter presente que eram maus tempos, constantes as perseguições religiosas, e tudo aconselhava a não pôr em evidência o nome do bispo local num documento público. Etc.

Podemos acrescentar a tudo isto que é sempre desaconselhável englobar o nome do chefe de uma diocese na enumeração de simples fiéis.

Quem leu o que aí fica devia naturalmente esperar que o protestante pusesse ponto final nas suas contestações à estada de São Pedro em Roma e à sua consequente investidura episcopal naquela cidade.

Mas o que sucede é que o homem continua no mesmo pensamento: passa de um galho para outro e, sem se dar por achado, lança o seguinte argumento: “Se Pedro ali tivesse a sede do seu episcopado, São Paulo não invadiria anarquicamente diocese alheia”, pois ele tinha por princípio “não edificar sobre fundamento alheio”.

Antes de tudo, meu amigo, este sistema de conduta não foi sempre adotado por São Paulo; e a prova é que ele pregou o Evangelho nas igrejas de Damasco, Antioquia e Jerusalém, que não haviam sido fundadas por ele. Além disto, o argumento apresentado contra nós, se provasse alguma causa, provaria exatamente o contrário dos seus desejos.

Leia com atenção todo o capítulo XV da citada epístola aos romanos. Nela, efetivamente, declara São Paulo que não costumava pregar a Boa Nova onde Cristo já havia sido anunciado, a fim de não edificar em cima de alicerce de outra pessoa (vers. 20).

“Por isso mesmo, continua ele, me via embaraçado, muitas vezes, para ir ver-vos e não tenho podido fazê-lo até agora. Entretanto, já não tenho motivo para me demorar, por mais tempo, nestas terras; e desejando ir ver-vos há muitos anos, logo que me ponha de viagem para a Espanha, espero ver-vos de passagem” (vers. 22-24).

Conforme se vê, as palavras do apóstolo das gentes nos levam a uma conclusão bem diferente das que os protestantes desejam. E qual será esta a conclusão? Paulo comunica que, tencionando ir à Espanha, verá, de passagem, os romanos, com os quais, de há muito, desejava entrar em relações. Não demorará entre eles porque não gosta de edificar em cima de alicerce de outrem. Quer isto dizer, implicitamente, que ali outro já havia edificado antes dele. Aliás, ele já o tinha feito sentir no começo da sua epístola: “vossa fé é conhecida em todo o mundo” (I, 8). Já havia afirmado que “os romanos estavam cheios de caridade, cheios de toda a ciência” (XV, 14). E pouco depois dirá que eram tão submissos a seus superiores eclesiásticos que “a obediência deles era notória em toda parte” (XVI, 19).

De tudo isto se conclui que, antes de Paulo aparecer em Roma, já existia por lá uma cristandade tão florescente que a sua boa fama corria em todo o mundo cristão. Mas quem teria fundado tamanho bloco de discípulos do Salvador na capital do maior império do mundo?

– São Pedro, respondem-nos todos os documentos dignos de respeito.

Pois bem, negando a viagem de Pedro a Roma, os nossos irmãos separados saíram atrás de um possível fundador, lançando mão de todos os recursos da imaginação, já que a História não os favorecia; e ainda hoje estão embaraçados nessa busca eternamente frustrada.

Em lugar de assim procederem, o que lhes competia era pensar como todos os espíritos razoáveis, admitindo que, sendo Roma a capital do Império e a cidade mais corrompida da Europa, onde enxameavam as religiões mais extravagantes, fosse evangelizada e convertida pelo príncipe dos apóstolos, o imediato representante do divino Mestre.

Como se percebe, o exame da epístola aos romanos o que deixa de entrever é exatamente o contrário da tese protestante.

21 ago

São Pedro em Roma – Autor desconhecido

Depois de haver fundado as igrejas de Jerusalém e Antioquia, as mais célebres da Ásia, partiu S. Pedro para o Ocidente com o propósito de fixar-se em Roma, até então baluarte do paganismo e destinada a tornar-se o centro da vida cristã.

Na cidade dos Césares estabeleceu ele a sua cátedra episcopal. Derramando nela seu sangue por amor do divino Mestre, inaugurou a dinastia dos Papas, que já conta vinte séculos de existência. É exatamente isto que pretendemos demonstrar contra os sofismas do protestantismo. É fora de dúvida que o príncipe dos apóstolos, tendo-se libertado da prisão em Jerusalém, escolheu Roma para sua residência episcopal. Sobre a certeza deste fato, em toda a antiguidade cristã, não pairou sequer a sombra de uma contestação.

Foi somente no século quatorze que apareceu o primeiro a pô-lo em dúvida, aliás interesseiramente. Com o intuito de defender Luiz de Baviera contra o Papa João XXII, Marcílio de Pádua lançou no ar a dúvida, que os protestantes breve converteram em negação formal, como quem aproveita toda a arma para atingir o fim que tem em mira.

Para que saiba, entretanto, quanto é fora de contestação a estada de São Pedro em Roma, bastam os seguintes testemunhos, todos de imenso valor.

São Cipriano que viveu no século terceiro da nossa era e foi bispo primaz da África, numa sua epístola a Antoniano, diz: “Tendo ficado vaga a sede de Fabiano, isto é, a sede de Pedro, e da dignidade da cátedra, foi Cornélio criado bispo” (Epístola X ad Antonianum).

Orígenes, o maior luminar da Escola de Alexandria, falecido em 254, atesta que São Marcos escreveu o seu Evangelho a pedido dos “romanos que tinham ouvido a pregação de São Pedro” (Coment. In Genes., tomo 3).

Tertuliano, morto depois de 222, entre outras alusões à estada de São Pedro em Roma, diz o seguinte: “Oh! Igreja feliz à qual deram os apóstolos, juntamente com seu sangue, o tesou re sua doutrina, onde Pedro se assemelhou ao Mestre no gênero de morte. Etc.” Escrevendo contra os hereges, o vigoroso polemista apelava para o fato da estada de São Pedro em Roma, sem medo de ser contestado.

Há, porém, entre quase uma dezena de outros documentos comprovando a tese da Santa Igreja, dois, pelo menos, de uma força demonstrativa extraordinária. São os testemunhos deixados por Santo Irineu e Santo Inácio.

Santo Irineu morreu em 202, após haver sido educado na escola de Policarpo, que, por sua vez, fica distanciado dos apóstolos apenas por uma geração. Pois este venerando varão, na sua obra “Contra as Heresias”, repetidas vezes fala na presença de São Pedro em Roma. Acha-se isto no III livro, c. I, n. I da citada obra. Eis o trecho decisivo: “Encontrando-se entre os hebreus, redigiu Mateus o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja”.

Não podemos, entretanto, deixar sem especial menção o testemunho de Eusébio, tristemente adulterado por protestantes. Assim reza o texto de Irineu: “Fundando, portanto, e instituindo a Igreja, os bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo entregaram o episcopado a Lino… A este sucedeu Anacleto. Depois deste, em terceiro lugar, Clemente ocupou o episcopado (transmitido) pelos apóstolos” (Adversus Hereses, III, 3)

Vejamos agora o que diz Eusébio na sua História Eclesiástica: “Depois de Pedro, Lino foi o primeiro a exercer o episcopado na Igreja Romana”. É ainda Irineu quem, no seu livro Chronicon, em texto sagazmente omitido por protestantes, escreveu o seguinte: “Como o apóstolo Pedro houvesse fundado a igreja de Antióquia, foi enviado para Roma, e aí, pregando o Evangelho, permaneceu bispo desta cidade por vinte e cinco anos. Depois de Pedro, Lino foi o primeiro a reger a Igreja de Roma.” (Hist. Ecclesiae, livro III, cap. 4)

Diante do exposto, como preservar negando verdades tão meridianas? Negar a verdade conhecida por tal é pecado contra o Espírito Santo, atitude indigna de um discípulo do Salvador.

Santo Inácio, martirizado no ano 107, de viagem para Roma, escreveu várias epístolas a diferentes igrejas, confortando-as na Fé e obediência aos superiores eclesiásticos. Numa dessas cartas, dirigida aos romanos, diz textualmente: “Tudo isto não vos ordeno como Pedro e Paulo, eles eram apóstolos, enquanto eu sou um condenado à morte.”

Parece claro, em tal linguagem, haver nos romanos, já então, um perfeito conhecimento daqueles dois arautos do Evangelho…

[Continua…]

21 ago

Pedro nos Atos dos Apóstolos – Autor Desconhecido

Não querendo dar-se por vencido, o protestante volta à fala, dizendo que a melhor prova de que Pedro não recebeu especial autorização para dirigir a Igreja é que nunca fez uso dessa investidura.

A crermos em suas palavras, os “Atos”, livro em que São Lucas nos deixou os fatos mais salientes da atividade dos apóstolos, nada nos dirão acerca do exercício do primado de São Pedro. Mas, como tudo isso anda longe da verdade!

Admitindo-se, por hipótese, que Pedro jamais houvesse posto em prática os direitos da sua primazia, poderíamos concluir daí que esse direito não lhe pertencesse? Não e não. Onde já se viu que uma lei deixasse de existir só porque alguém deixou de se utilizar das vantagens que ela lhe oferecia?

Ora, as palavras de Cristo valem por uma lei, dando a Simão-Pedro o direito de governar a Igreja, fazendo-lhe as vezes aqui na terra; se Pedro não tivesse exercido esse direito, poderíamos assim explicar o fato: que não tivesse havido precisão de exercitá-lo.

Repetimos o que acima deixamos dito: o não-uso de um direito concedido por Deus não serve de prova de sua não-existência.

Mas será mesmo exato que os outros apóstolos não deram sinais de reconhecer essa primazia? Será ainda exato que a história da Igreja não contenha certos vestígios de haver ela sido posta em ação? O protestante acha isto tão indubitável que escreveu o seguinte: “a ausência do sol ao meio dia não é mais notável do que a ausência da supremacia oficial de São Pedro nas páginas do Novo Testamento”.

Vamos aos fatos. Não terão os apóstolos dado mostras de reconhecer a primazia de São Pedro? Por que então todos os evangelistas, sem exceção de um só, todas as vezes que falam nos Doze ou os mencionam pelos respectivos nomes, dão a Pedro o lugar de honra e primazia? Não lhe parece que tal prioridade seja altamente significativa, especialmente depois das antigas contendas para saberem qual deles era o maior? Outrora queriam saber qual deles era o primeiro: agora é o próprio São Mateus quem nos afirma no seu Evangelho: “Primeiro, Simão que se chama Pedro” (X, 2).

Recordemos os primeiros capítulos dos “Atos”, onde São Lucas relata os mais notáveis sucessos da Igreja primitiva. Que é que neles se lê? Lá aprendemos que foi São Pedro o primeiro a anunciar o Evangelho aos judeus, depois da morte do Salvador; por sinal que com seus primeiros sermões converteu três mil pessoas (II, 41). Que foi São Pedro quem admitiu na Igreja os primeiros gentios (X, 9 e seguintes). Que foi Pedro quem operou o primeiro milagre em confirmação da fé em Jesus Cristo (III, e seguintes).

Dizem-nos os “Atos” que, da mesma forma que o povo fazia com o Salvador, fazia com Pedro, no sentido de levarem até ele grande número de enfermos para que os curasse (V, 15).

Acha pouco tudo isto? Pois ouça mais. Leia os “Atos” (I, 15 e seguintes) e lá verá que foi São Pedro o apóstolo que promoveu e presidiu a eleição de um novo apóstolo para substituir a Judas. Pelos “Atos” (II, 14; IV, 8) verá também que foi São Pedro o primeiro a tomar a defesa de seus colegas contra o sinédrio, que queria impedi-los de pregar. Leia nos “Atos” (VIII, 20) Pedro condenando, com pasmosa autoridade, o primeiro herege simoníaco.

Se Pedro é preso por ordem de Herodes, toda a Igreja se põe em oração até vê-lo milagrosamente salvo (Atos XII, 3). Parece pouco tudo isto? Pois escute: quando, em Jerusalém, se reúne o primeiro concílio para decidir acerca de uma questão importantíssima, é Pedro o primeiro que toma a palavra e põe termo à controvérsia (Atos XV, 7 e seguintes).

Sempre Pedro é visto como chefe supremo, na defesa da fé e dos bons costumes, na propagação da Igreja, na promulgação das leis, no dom dos milagres, no papel de imediato representante de Jesus Cristo.

17 ago

São Paulo, campeão antipapal? [Parte II] – Autor Desconhecido

Parece, mas não é…

Focalizemos logo o verbo [pareciam] que, à primeira vista, parece uma bomba atômica, capaz de botar por terra a estátua de S. Pedro e, na realidade, é apenas um sofisma embarcado no equívoco de uma palavra. É que o protestante toma aí o verbo [parecer] no sentido de ter a aparência de uma coisa sem, na realidade, ser essa mesma coisa. Veio daí a ardilosa conclusão tirada por ele: que Pedro, Tiago e João eram exteriormente considerados colunas da Igreja, mas de verdade não o eram.

Ora, qualquer exegeta medíocre sabe que o verbo [videri], parecer, vez por outra se apresenta com o sentido de [ser considerado o que] verdadeiramente é. Eis o que quis dizer São Paulo: “Dizeis que meu evangelho e minha doutrina não são dignos de fé. Pois ficai sabendo que em Jerusalém eu os expus à apreciação daqueles que para vós são os depositários do verdadeiro cristianismo, tidos e havidos como colunas da Igreja. Condenaram-me por isto? Repreenderam-me? Não. Aquelas autoridades não acharam em mim o que condenar e, dessa forma, aprovaram todos os meus ensinamentos. Além disto, Pedro, Tiago e João, aos quais cabia o direito de examinar minha doutrina, reconheceram o apostolado que Deus me tinha confiado e, em sinal de amizade, me apertaram a mão”.

Se o protestante quiser ler outras passagens do Novo Testamento nas quais [parece] se apresenta no sentido de ter [as aparências de uma coisa ou pessoa que é realmente], leia o evangelho de S. Marcos, capítulo décimo, versículo 42; ou o evangelho de S. Lucas, capítulo vinte e dois, versículo 24, para não irmos mais longe.

O protestante da epístola de S. Paulo aos gálatas quer concluir que o apóstolo das gentes fala de Pedro como de um simples colega, e não de um chefe.

Aqui, como em outros casos da vida, vai grande distância entre o ser e o parecer. Parece, realmente, exprimir isto mesmo, mas um exame desapaixonado dos documentos revela o contrário. Nessa passagem da epístola aos gálatas, o objetivo do Apóstolo não é nem a chefia de Pedro sobre a Igreja nascente, nem tão pouco uma divisão sistemática e exclusivista do campo destinado à evangelização.

Por que, caro protestante? Porque . Paulo, ao escrever a citada epístola, já sabia ter sido Pedro quem batizara os primeiros gentios, abrindo para eles as portas da Santa Igreja. Alguns anos para trás, ele, S. Paulo, ouvira dos lábios de S. Pedro a seguinte declaração: “Sabeis que, desde os primeiros dias, Deus ordenou que, por minha boca, ouvissem os gentios a palavra do Evangelho” (Sobre isto leia Atos XV, 7).

Por outro lado, é absolutamente inexato que Paulo houvesse limitado sua pregação aos gentios. E a prova disto é que, em todas as suas excursões apostólicas, sua primeira tarefa era pregar a Boa Nova aos israelitas. Só depois de repelido por estes é que se voltava para os pagãos, quase sempre mais bem dispostos e generosos. Para se convencer disto, queira ler os capítulos 13, 14, 17, 18, 19, 20, 21 dos Atos.

Considerando, historicamente, os doze anos por ele vividos até então a serviço do Evangelho, Paulo faz ver aí como Deus tinha abençoado sua pregação aos gentios por meio de numerosos milagres e conversões, da mesma forma que era abençoado o ministério de Pedro entre os israelitas. Note bem isto: por que aí S. Paulo compara sua carreira apostólica com a de S. Pedro? Não é fora de qualquer dúvida que também os outros apóstolos haviam pregado o Evangelho aos israelitas? Por que destacar aqui somente a Pedro quando se dirige aos gálatas que só ele, Paulo, havia evangelizado e convertido?

A mais plausível explicação é que, pelo fato de ser Pedro o chefe supremo da Igreja, ao menos de nome todos os cristãos deviam conhecê-lo e seguir-lhe a direção.

Agora falaremos do discutido episódio de Antioquia.

Conforme sabemos através do Novo Testamento, achavam-se os apóstolos Pedro e Paulo naquela cidade, cujos cristãos, na sua maioria, tinham vindo do judaísmo. Procurando acomodar-se às exigências do meio, viviam ali os dois citados apóstolos com os novos cristãos sem se preocuparem com leis mosaicas, já então suprimidas pelo Evangelho.

A esse tempo, chegam de Jerusalém alguns cristãos convertidos do judaísmo, ardentes de zelo pela lei mosaica. Temendo cair no desagrado deles e assim afastá-los do cristianismo, pouco a pouco Pedro foi se afastando das refeições a que compareciam os cristãos daquela terra. Além disto, embora sabendo que os ritos mosaicos de nada adiantavam à vida cristã, condescendia com a fraqueza dos judeus-cristãos e diante deles cumpria as referidas prescrições rituais. Era assim, aliás, que procediam os outros apóstolos, sobretudo S. Tiago, bispo de Jerusalém.

Por iguais razões, S. Paulo tinha circuncidado a seu caro discípulo Timóteo; e, numa de suas viagens a Jerusalém, entrou no templo, purificou-se de acordo com as prescrições de Moisés e ofereceu as oblações legais.

Por aí se vê que o retraimento de Pedro significava somente uma condescendência paternal, um ato de caridade para com seus compatriotas recém convertidos ao cristianismo. Mas naquela cidade as circunstâncias eram diferentes das de Jerusalém; e Paulo, que pregava o Evangelho quase sempre aos gentios, previu a campanha de difamação que seus inimigos breve iriam mover contra ele, apoiados no exemplo do chefe dos apóstolos.

Com efeito, muitos judeus e até Barnabé, fiel companheiro de Paulo, já estavam voltando às práticas rituais do judaísmo; também eles tinham deixado de comer com os gentios convertidos.

Em tão sombrias circunstâncias, percebeu Paulo que o caminho a seguir era mostrar, publicamente, que a atitude de Pedro, justificável em Jerusalém, não era bem conforme ao espírito do Evangelho, desde que o Divino Mestre nos havia libertado das peias mortificante do mosaísmo.

Um dia, portanto, num dos ágapes dos cristãos ao qual Pedro comparecera, Paulo o adverte publicamente, como se vê de sua epístola aos gálatas (capítulo II, versículo 13): “Se tu, sendo judeu, vives como os gentios (batizados) e não como judeu, por que obrigas (com teu exemplo) os outros a judaizarem?”.

Agora pergunto ao protestante: haverá, nessa admoestação pública, qualquer contestação do primado apostólico? De modo algum. Aí Paulo não desobedece a nenhuma ordem dada por Pedro, não se insurge contra sua doutrina, não nega sua autoridade. Não lhe falou aí como um superior, cheio de autoridade, porém à maneira de filho mais velho, fazendo-lhe ver a necessidade de viver de acordo com o que ele próprio, Pedro, ensinava noutros lugares.

Eis a única significação dessa passagem da epístola aos gálatas. Ouça lá como o genial Santo Agostinho comenta este episódio, transformando-o em novo argumento a favor as suprema autoridade de Pedro: “Com santa e piedosa humildade, Pedro aceita a observação feita por Paulo (que assim agiu) inspirado na liberdade do amor. Deixou assim aos seus sucessores um raro exemplo de consentirem em ser corrigidos pelos súditos, quando se desviarem do reto caminho…”

17 ago

São Paulo, campeão antipapal? [Parte I]

São Paulo, Campeão antipapal? [PARTE I] – Autor Desconhecido

Outro argumento de que se valem os protestantes para negar a suprema autoridade de São Pedro, apóia-se no capítulo onze da segunda Epístola de S. Paulo aos Coríntios. Eis o texto com que eles nos acenam: “Cuido que em nada tenho sido inferior aos grandes apóstolos” (versículo 5).

Louco por uma oportunidade em que pareça triunfante, o nosso irmão separado exclama logo: “entra pelos olhos que esta asserção absoluta de Paulo é incompatível com a teoria romana”. A verdade, entretanto, é que nada existe mais simples e claro do que a interpretação de tal passagem, de acordo com a opinião adotada pela Igreja Católica.

Falaremos com a desejada clareza. Depois da primeira missão de S. Paulo a Corinto, alguns falsos apóstolos fizeram tudo o que podiam fazer para desacreditá-lo aos olhos daquele povo recém convertido. Para realizarem seu perverso intuito, começaram pondo-lhe em dúvida a autoridade e o título de apóstolo que ele mesmo usava. Com que direito Paulo se apresentava como Apóstolo, se ele não tinha sequer conhecido o divino Mestre neste mundo? Com que direito ele, convertido da última hora, se equiparava aos Doze privilegiados que Cristo havia escolhido a dedo e com ele tinham trabalhado e sofrido? Não viam por aí que Paulo era um intruso?

Exagerando naquela campanha um perigoso ardil do inferno para matar o entusiasmo daquela gente pelo cristianismo que ele mesmo lhe havia ensinado, S. Paulo sai a campo e prova que é legítimo o seu nome de apóstolo. É que ele tinha diretamente escolhido por Cristo, da mesma forma que os Doze. Como os Doze, ele havia recebido de Cristo a sagrada apostólica.

Eis o que São Paulo aí quer dizer. Nem de leve faz alusão à existência de um chefe visível na Igreja, como imediato representante do Salvador na direção da cristandade. Pretender encontrar nesta passagem qualquer argumento contra o primado só prova uma coisa: ignorância ou preconceito religioso.

No seu empenho de lançar o descrédito sobre a autoridade papal, agarram-se logo os protestantes a outra passagem de São Paulo, desta vez tirada de sua epístola aos gálatas, no capítulo segundo.

Ei-la: “Quatorze anos depois, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também a Tito. Mas subi em consequência de uma revelação; e expliquei aos fiéis o Evangelho que prego entre os gentios, e particularmente àqueles que pareciam ser os de maior consideração, pelo temor de não correr ou de haver corrido em vão. Quanto, porém, àqueles que pareciam ser os mais considerados (quais hajam sido noutro tempo, pouco me importa; Deus não faz acepção de pessoas) àqueles, digo, que pareciam ser alguma coisa, esses nada me comunicaram. Antes, pelo contrário, tendo visto que me havia sido comunicado o Evangelho da incircuncisão, como (fora dado) a Pedro o da circuncisão, (porque o que Deus obrou em Pedro para o apostolado da circuncisão, também obrou em mim para os gentios); e, tendo conhecido em mim a graça que me foi dada, Tiago e Cefas, e João que pareciam ser as colunas da Igreja, nos deram as mãos, a mim e a Barnabé, em sinal de companhia, para que nós pregássemos aos gentios. “Ora, tendo Cefas vindo depois a Antioquia, resisti-lhe publicamente, porque era repreensível”. (versículo 11)

Aí está todo o trecho de S. Paulo onde muitos protestantes querem enxergar desapreço do grande apóstolo para com a autoridade de S. Pedro. Façamos de todo ele um exame escrupuloso. Para o protestante, o emprego do verbo [pareciam], a coordenação igualitária de Pedro e Paulo, a repreensão que este fez àquele, em Antioquia, são três golpes mortais vibrados contra a primazia de Pedro.

Para bem entendermos essa linguagem de S. Paulo aos Gálatas, é preciso explicar, antes de tudo, os fatos que o levaram a escrever dessa vez aos habitantes da Galácia. Porque, tanto nesta última região como em Corínto, por onde S. Paulo já andara evangelizando, tinham aparecido, na sua ausência, inimigos rancorosos que lançavam mão de todos os meios para desacreditá-lo perante aquelas populações.

E o motivo principal de tão perversa propaganda era que os judeus recém batizados não podiam absolutamente compreender que a lei de Moisés em que eles tinham sido educados e da qual tinham uma idéia elevadíssima, fosse substituída pelo cristianismo. Para eles o cristianismo ensinado por Paulo, em lugar de completar, o que fazia era destruir a Lei mosaica. Por isto moviam oposição obstinada ao apostolado de Paulo que lhes parecia um perigo revolucionário.

Na Galiléia, a atitude dos inimigos do Apóstolo primava pela astúcia. Sem se oporem abertamente às decisõe do Concílio de Jerusalém, que havia decidido estarem sem vigor determinados ritos e prescrições da lei mosaica, afirmavam jeitosamente que aquela decisão do concílio era de caráter provisório, para evitar choque com as idéias de Paulo. E insistiam dizendo que o verdadeiro Evangelho era o que saia da boca de Pedro, Tiago e João, que eram as colunas da Igreja, que estes é que desde o princípio haviam convivido com o Salvador e guardado com exatidão seus ensinamentos. Etc,. etc.

Assim argumentando, não negavam que a fé em Cristo bastava para a eterna salvação; mas repetiam que as observâncias do rito mosaico davam aos cristãos uma perfeição religiosa que os pagãos batizados nunca poderiam conseguir, se não as pusessem em prática. Desconfiassem, portanto, da pregação de Paulo, que era um perigoso inovador. Ele que tão recentemente perseguira os cristãos, não podia agora merecer tão grande confiança; e o seu Evangelho só podia ser incompleto e defeituoso… Quem quisesse ser perfeito, diziam os tais, escutasse antes o que diziam as colunas da Igrejas, e recebessem a circuncisão e observassem o ritual da lei de Moisés.

Tão ardilosas afirmações estavam produzindo efeito em muitos corações. As novas cristandades convertidas por Paulo sentiam-se num mar de dúvidas e corriam grande perigo de cisma. Estava, pois, o grande apóstolo no imperioso dever de intervir para evitar este perigo, defendendo sua doutrina.

Feita esta longa exposição, mostraremos a que ficam reduzidos os argumentos do protestante, quando procura concluir daí que S. Paulo desdenhou a autoridade de S. Pedro como chefe supremo da Igreja.

[Continua…]

17 ago

“Tu es Petrus” – Pe. Leonel Franca

Texto extraído do livro “Catolicismo e Protestantismo” do pe. Leonel Franca.

O argumento tirado do primeiro versículo não colhe, diz o sr. Ernesto, porque a pedra sobre a qual Cristo diz há de construir a sua Igreja não é o Apóstolo mas o próprio Cristo. “Em resumo: nosso Salvador não disse a S. Pedro: ‘tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja’, mas disse-lhe: tu és um fragmento de pedra (isto é o que significa o seu nome), da pedra que confessaste; e sobre esta pedra, que sou eu, edificarei a minha Igreja; em outros termos: ‘edificarei a minha Igreja sobre mim e não sobre ti’. E fragmentos da mesma pedra são todos os santos que constituem a Igreja”.

O leitor confrontando a paráfrase do sr. Oliveira com o texto evangélico já percebeu tudo o que lhe enxertou desastradamente a sua exegese tendenciosa, “fragmento de pedra que confessaste… sobre esta pedra que sou eu” não existem absolutamente em toda a perícope evangélica onde Jesus Cristo não fala uma só vez de si, mas só de Pedro e a Pedro. Ora, toda esta interpretação visivelmente apaixonada já nos havíamos excluído nestes termos: Quem quer que leia despreocupadamente o passo de S. Mateus para logo se persuadirá que, em todo ele, Cristo só se dirige a Pedro: tibi dico, tu es, tibi dabo, quidquid ligaveris. Não há como isolar um inciso em que o Salvador entrasse a falar de si. Todos os membros do texto se articulam, se compaginam num todo, cuja continuidade não é possível interromper sem lhe quebrar as harmonias divinas.

Mas entre PETRUS e PETRA há diferença que passa entre seixo de rocha, fragmento de pedra e pedra. Não há tal. Esta diferença só existe na versão grega. O nome PETRA, feminino, não se adaptava à designação de um homem. O tradutor grego, helenizando o original KEFAS preferiu a forma PETRUS. Todas as outras versões, onde não havia este inconveniente, conservaram, como pode observar o francês moderno, a identidade da forma verbal nos dois incisos do versículo. Pode verificar-se na versão armena, etiópica, cóptica, persa, caldaica, siríaca, arábica e eslava. […]

Cristo falava aramaico. Ora, em aramaico nenhuma diferença verbal há entre Pedro e pedra. Traduzindo à letra, o texto original de S. Mateus dizia: tu és Pedra (Kefa) e sobre esta Pedra (Kefa) edificarei a minha Igreja. Desfaz-se assim a última aparência de arrimo a que se abordoa, desesperada, a exegese protestante. Como poder, com efeito, afirmar razoavelmente a diversidade na significação de duas palavras idênticas, usadas na mesma frase, e referindo-se uma à outra por um demonstrativo enfático?

Mais. Reduzir o nome de Kefas a um fragmento de pedra, e “fragmentos da mesma pedra são todos os santos que constituem a Igreja”, diz o pastor, é falsificar todo o sentido do Evangelho. Se não era Simão esta pedra fundamental da Igreja por que lhe mudou Cristo o nome em Pedra? Tu te chamarás Cefas, isto é, Pedra, disse-lhe Cristo no primeiro dia que o viu (João 1, 42); tu és Pedra, repete-lhe Cristo agora. Porventura os nomes impostos por Deus são palavras vazias, figuras sem significado, sombras sem realidade? Como! Tanto aparato de circunstâncias, tanta gravidade de palavras, tanta solenidade de fórmulas (Bem-aventurado és tu… E eu te digo: tu és Pedro), para dizer que Pedro será um “fragmento”, uma pedrinha no grande edifício do Reino de Deus! Mas “fragmento”, pedrinha são todos os fiéis, todos os membros da sociedade cristã. E qual seria, neste caso, o significado desta cena, uma das mais graves, das mais majestosas, das mais solenes do Evangelho? Algo parecido com o parturiunt montes!! Não! Não! Ante a exegese protestante revolta-se a consciência cristã num brado da mais justificada indignação.

17 ago

São Pedro e os Papas – Autor Desconhecido.

Como chave de ouro desta série de argumentos, examinaremos o testemunho do próprio São Pedro.

A sua atitude humilde em face das observações de São Paulo, afirma o pastor protestante, bem nos mostra que “ele (Pedro) inteiramente ignorava possuir a posição e os títulos pomposos que, em nome dele, os papas assumem. Nas suas epístolas, – a crer em nosso ardente contraditor, – nada existe “que se pareça com um decreto do Vaticano”. Em palpável contraste com o autoritarismo vanglorioso das bulas papais, escreve São Pedro: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, esta é a rogativa que faço aos presbíteros, eu, presbítero como eles.” (Páginas 242-243)

Parece-lhe então, meu amigo, que esta humilde linguagem de São Pedro afaste a hipótese de ser ele o chefe visível e universal da Igreja? Pois, a mim não acontece a mesma coisa. Para lho demonstrar, lembro que São Pedro não escrevia para protestantes, preocupados em negar-lhe a autoridade, porém a cristãos que de boa fé haviam abraçado o Evangelho, cristãos que em Pedro reconheciam o continuador de Jesus Cristo e nem por sonho pensavam em pô-lo em dúvida.

– Mas, que contraste entre os apóstolos e as bulas papais! – dirá o pastor protestante.
Está-se vendo que o senhor nunca leu uma bula papal. Como São Pedro, o Papa ainda hoje se dirige aos bispos, saudando-os com o doce nome de irmãos; e assim é que se assina? Servo dos servos de Deus. Estas expressões nada encerram de autoritarismo vangloriosos.

– Mas os Papas – atalhará o pastor – dão ordens terminantes, ameaçam castigos, lançam excomunhões.

Pois não é assim que procedem as autoridades cônscias de seu dever? Foi assim mesmo que, na hora precisa, procedeu o humilde São Pedro. Quando o Sinédrio pretendia algemar a Igreja nascente, impondo o silêncio aos seus apóstolos, eis como, em nome de todos, São Pedro rebate as pretensões do poder civil: “Não podemos! Antes de obedecer aos homens, é necessário (obedecer) a Deus.” (Atos IV, 20; V, 29)

Veja com que severidade São Pedro julga e repreende a Ananias e Safira; veja como o Espírito Santo, confirmando a sentença dada por ele, fulmina de morte os dois culpados (V, 1-11). Veja também o desassombro com que ele rejeita as sacrílegas propostas de Simão Mago e lhe exprobra a miserável oferta (VIII, 18-24). Pois os papas, no decurso dos séculos, não fizeram outra coisa: fustigaram os vícios, condenaram os malfeitores, defenderam a liberdade da Igreja contra os caprichos dos poderosos do mundo.
Seguindo o exemplo de S. Pedro, os Papas, sem deixarem de ser humildes, têm defendido a causa do Evangelho contra o erro, contra o vício, contra a força.

Para se convencer disto, basta abrir a história com sincero desejo de tirar dela as lições que dela se desprendem.

09 ago

Ladainha da Humildade – Cardeal Merry del Val

Jesus, manso e humilde de coração, ouvi-me.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser conhecido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser honrado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser louvado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser preferido, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser consultado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser aprovado, livrai-me, ó Jesus.

Do receio de ser humilhado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser desprezado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de sofrer repulsas, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser caluniado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser esquecido, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser ridicularizado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser infamado, livrai-me, ó Jesus.
Do receio de ser objeto de suspeita, livrai-me, ó Jesus.

Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuído, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.